Secção 3

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Secção 3
P 3.1
O uso de metilfenidato durante a gravidez
Inês Barroca1; Diana Pereira2; Filipa Cirurgião3; Giulia Riggi1; Rita Costa1
1 - Internas de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental
2 - Interna de Psiquiatria do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
3 - Interna de Pediatria do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA; ADULTO
OBJETIVOS: uso de estimulantes aprovados para o tratamento da Perturbação de Hiperatividade e/ou Défice de Atenção (PHDA) é cada vez mais uma realidade em mulheres em idade fértil e durante a gravidez. Contudo, não existe ainda consenso relativamente ao perfil de segurança destes fármacos, em particular do metilfenidato, nestes períodos específicos. O objetivo desta revisão é avaliar o impacto do uso de metilfenidato na gravidez e no desenvolvimento fetal, e perceber que estratégias deverão ser equacionadas.
MÉTODOS: Tendo por base o DSM-5, foi realizada uma revisão bibliográfica na PubMed que englobou artigos científicos publicados nos últimos 10 anos, e tendo sido utilizadas como palavras-chave “methylphenidate”, “pregnancy”, “attention-deficit hyperactivity disorder”.
RESULTADOS: A PHDA é uma perturbação comum na infância em que a terapêutica com estimulantes, nomeadamente o metilfenidato, é a abordagem farmacológica de primeira linha aprovada para o seu tratamento. Se por um lado o tratamento com metilfenidato é útil em certas alturas como na adolescência, para controlo da impulsividade e prevenção de comportamentos sexuais de risco que podem gerar gravidezes indesejadas, por outro o seu benefício deve ser avaliado em determinadas populações como grávidas e mulheres em idade fértil. Quanto ao tratamento com metilfenidato durante a gravidez não existe consenso na literatura relativamente ao seu perfil de segurança. Alguns autores defendem que o seu uso pode estar associado a várias complicações como aumento de malformações no feto, maior número de abortos espontâneos, menores índices de Apgar, redução do peso ao nascer, maior risco de pré-eclâmpsia e maior risco convulsivo. Contudo, existem estudos que contrariam essa informação, negando qualquer efeito teratogénico. As evidências acerca deste tema são ainda insuficientes, sendo que a maioria dos estudos apresenta várias limitações que condicionam a fiabilidade dos resultados.
CONCLUSÃO: Atualmente não existe consenso acerca do perfil de segurança do metilfenidato em mulheres em idade fértil. Neste contexto, consideramos necessária a realização de mais estudos que permitam melhorar o conhecimento acerca deste tema de forma a que os médicos possam melhorar a abordagem e o tratamento oferecidos a esta população.
P 3.2
O papel do Neurofeedback no tratamento da PHDA
Rui Barranha1; Ana Teresa Carvalho1; Henrique Costa Pinto2 ; Paula Gouveia3
1- Internos de Formação Específica em Psiquiatria, Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa
2 - Psiquiatra (Assistente Hospitalar Graduado), Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa
3 - Psiquiatra da Infância e Adolescência (Assistente Hospitalar), Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA; ADULTO
INTRODUÇÃO: A Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento que se manifesta por sintomas de hiperactividade, impulsividade, falta de atenção e prejuízo das funções executivas. Nos últimos anos têm sido desenvolvidas abordagens terapêuticas alternativas à intervenção meramente farmacológica. Destas destaca-se o Neurofeedback, que tem vindo a ganhar suporte empírico.
OBJETIVOS: Neste trabalho pretendemos avaliar a evidência científica existente a apoiar a utilização do Neurofeedback no tratamento da PHDA.
MÉTODOS: Efectuou-se uma pesquisa na PubMed de artigos publicados em Inglês e Português durante os últimos 5 anos. Foram utilizados como palavras-chave os termos “ADHD”, “neurofeedback”, “nonpharmacological treatment”, “efficacy” e “meta-analysis”.
RESULTADOS: Neurofeedback é uma técnica de terapia comportamental que pretende treinar a auto-regulação do perfil neurofisiológico. Baseia-se na constatação de que os indivíduos com PHDA apresentam mais frequentemente alterações electroencefalográficas quando comparados com a população geral. No entanto, o significado patológico destas alterações ainda não foi determinado. A sua utilização é justificada pela existência de estudos observacionais que demonstram uma redução nos sintomas de PHDA após a aplicação desta técnica. Contudo, se apenas forem tidos em conta os parâmetros sujeitos a ocultação, os resultados perdem a significância, limitando-se no máximo a uma tendência estatística. De igual forma, não existe evidência de efeito ao nível das medidas laboratoriais de inibição e atenção. Quando comparado, durante 1 ano de follow-up, a utilização de uma abordagem terapêutica habitual (farmacológica e psicoterapêutica) com ou sem a utilização de Neurofeedback, os resultados não demonstraram efeitos adicionais robustos decorrentes da associação desta técnica.
CONCLUSÃO: Neste momento, a evidência científica obtida através de ensaios clínicos controlados não demonstra que o Neurofeedback seja um tratamento eficaz para a PHDA. É necessário desenvolver mais inves-tigações centradas na optimização de protocolos e na identificação de mediadores, preditores de resposta e efeitos a longo prazo.
P 3.3
O impacto positivo do Mindfulness em crianças e adolescentes com PHDA: revisão da literatura
Cláudia Oliveira1; Margarida Almeida2
1 - Psicóloga Clínica, Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto
2- Psicóloga Educacional, Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
O presente estudo baseia-se numa extensa revisão de artigos e pretende analisar o impacto de intervenções baseadas no Mindfulness em crianças e adolescentes com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). A PHDA constitui uma perturbação neurodesenvolvimental, que persiste, muitas vezes, durante a idade adulta, surgindo como fundamental o investimento numa intervenção multidimensional e precoce. Para além disso, devem ser transmitidas estratégias que possam ser utilizadas ao longo da vida, para uma melhor autorregulação da atenção, tais como, competências associadas ao treino de Mindfulness (e.g., meditação sentado, exercícios de atenção focados na respiração, contemplação das sensações corporais “bodyscan”). Inserido nas terapias de 3º geração, o Mindfulness pode definir-se como um estado de atenção plena ao momento presente, sem julgamento, numa atitude de curiosidade, abertura e aceitação da própria expe-riência. Nos últimos anos, na prática clínica, tem sido utilizado de forma eficaz na prevenção e tratamento de vários problemas de saúde, tais como, stress, problemas de ansiedade, dor crónica, perturbações alimentares, depressão e abuso de substâncias. Evidências recentes têm apontado o impacto positivo da prática de Mindfulness na redução da sintomatologia associada à PHDA, mais especificamente, no controlo e direcionamento da atenção, na regulação emocional, impulsividade e níveis de autoestima e autoeficácia. Estudos de neuroimagem têm demonstrado alterações cerebrais quer a nível funcional e estrutural, verificando-se um aumento da conetividade entre regiões cerebrais associadas às funções executivas. Assim, o Mindfulness parece surgir como um complemento importante, ou mesmo alternativa à terapêutica farmacológica, apresentando vantagens por constituir uma intervenção pouco dispendiosa, em relação à qual não se têm encontrado efeitos secundários negativos. Principalmente no tratamento de crianças e adolescentes com PHDA, o Mindfulness pode constituir uma mais valia quando generalizado e aliado às práticas educativas familiares e escolares.
P 3.4
A terapêutica com Metilfenidato e o seu impacto no apetite e evolução estatoponderal
Patrícia Magalhães1; Susana Santos1; Teresa Sá1; Filipa Martins Silva1; Paula Barrias2
1 - Médica, Interna de Formação Específica de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Centro Hospitalar do Porto
2 - Médica, Assistente Hospitalar Graduada em Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Centro Hospitalar do Porto
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
INTRODUÇÃO: O Metilfenidato (MF) é o psicoestimulante mais usado no tratamento farmacológico da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) e associa-se a melhoria dos sintomas nucleares e do prognóstico desta perturbação. Contudo, estão descritos efeitos adversos com a sua utilização, sendo um dos mais frequentes a diminuição do apetite, que em casos mais raros, se pode associar a um impacto negativo na evolução estato-ponderal.
OBJETIVO/MATERIAL E MÉTODOS: A propósito de uma vinheta clínica, os autores propõe-se a efetuar uma breve revisão, recorrendo à base de dados da Pubmed e literatura especializada, sobre a diminuição do apetite e o impacto na evolução estato-ponderal associados à toma de MF.
RESULTADOS: A diminuição do apetite ocorre em cerca de um terço das crianças e adolescentes medicados com psicoestimulantes. Como a restrição calórica em crianças e adolescentes se pode associar a atraso de crescimento, a perda considerável de apetite e de peso nestes indivíduos deve ser motivo de atenção. Contudo, de acordo com um recente estudo de coorte, a terapêutica com psicoestimulantes não foi associada a uma diminuição significativa da estatura final durante um período de seguimento de 26.2 anos.
CONCLUSÃO: O impacto a longo prazo no crescimento da utilização de psicoestimulantes ainda permanece assunto de debate. Mesmo assim, é recomendado que durante a terapêutica com MF em crianças e adolescentes seja efetuada uma monitorização regular do peso e altura com recurso a curvas de crescimento adequadas à idade. No caso de diminuição considerável do apetite uma das atitudes a ponderar é a suspensão do MF fora do período escolar.
P 3.5
Novas Guidelines NICE de tratamento para a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção no Adulto
Filipa Pontes1; Lara Lopes1
1 - Internas de Formação Especifica em Psiquiatria; Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA; ADULTO
A perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA) é a perturbação neurocomportamental mais frequente na criança, persistindo na adolescência. Apresenta-se classicamente sob a tríade: défice e atenção, hiperatividade e impulsividade. O quadro clínico pode melhorar com o amadurecimento, porém os sinais sintomatológicos podem estender-se para a idade adulta, com impacto negativo na qualidade de vida e no quotidiano, nomeadamente a nível pessoal, familiar, social, afetivo, académico e ocupacional. Apesar de se manter subdiagnosticada nos adultos, estudos mostram que 67% das crianças com PHDA mantém sintomas na vida adulta. O seu diagnóstico é tipicamente clínico e, em adultos, é sobretudo retrospetivo, dependendo da análise do comportamento na infância e de uma avaliação concreta do comportamento atual. Em Março de 2018, novas guidelines NICE de abordagem e tratamento a PHDA pelo que as autoras se propõem fazer um resumo esquemático dos passos a considerar bem como a exposição dos psicofármacos a serem utilizados.
P 3.6
“Os Intergalácticos – Uma Aventura do Comportamento” - Construção de um material para a promoção de comportamentos adaptativos
Rita Antunes1,2; Manuela Veríssimo2; Joana Alexandre3
1 - Hospital CUF Descobertas
2 - ISPA
3 - ISCTE-UL
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
“Os Intergalácticos – Uma Aventura do Comportamento” assume como objetivo principal trabalhar e refletir aspetos relacionados com comportamentos adaptativos nos principais contextos do quotidiano. Este material foi criado à luz da literatura existente e da experiência clínica com crianças com alterações do comportamento, quer em contexto escolar, como em contexto familiar. Objetivaram-se como áreas principais as mais frágeis em alterações do comportamento (p.e.: Cordinhã & Boavida, 2008), e pensado como Jogo de Tabuleiro numa era tecnológica, uma vez que estes permitem o envolvimento de múltiplos jogadores, para além de um raciocínio lógico para resolver o desafio apresentado (Ramos, 2013), possibilitando ainda a aprendizagem de elementos essenciais à vida em sociedade (Schaeffer, 2006), nomeadamente se o adulto servir de mediador, tendo um papel fundamental na adaptação das regras, do espaço, dos materiais, dos objetivos do Jogo (Pereira, 2003), e na promoção de relações mais positivas com as crianças. (Coutinho, Seabra-Santos & Gaspar, 2012). A escolha da faixa etária dos 8 aos 12 anos teve em conta que, a PHDA é frequentemente diagnosticada em idade escolar (Cordinhã & Boavida, 2008). Este material envolve até 6 jogadores e é constituído por um tabuleiro, os peões – super-heróis “Hiperatenta e Superativo”, cartões de superpoderes, cinco baralhos de cartas, uma ampulheta e um dados.
P 3.7
Construção e implementação de um programa de treino das funções executivas em crianças com Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção
Andreia Veloso1; Marisa G. Filipe2; Selene G. Vicente3
1 - Estudante de doutoramento na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
2 - Centro de Linguística, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Centro de Psicologia, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
3 - Centro de Psicologia, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
OBJETIVOS: Diversos estudos têm sugerido que os sintomas característicos da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) derivam de um défice primário ao nível das Funções Executivas (FEs; e.g., Dovis et al., 2015). As FEs podem ser definidas como capacidades mentais superiores necessárias para o comportamento dirigido a objetivos, controlando, organizando e direcionando a atividade cognitiva, as respostas emocionais e o comportamento. Neste contexto, o interesse na implementação de programas de treino cognitivo na PHDA tem aumentado, pretendendo reduzir os sintomas primários desta perturbação. O presente projeto de investigação pretende desenvolver e avaliar a eficácia de um programa de treino cognitivo para crianças com PHDA, entre os 7 e os 9 anos de idade, incidindo sobre domínios executivos frequentemente alterados nesta população: atenção, planeamento, memória operatória, controlo inibitório, flexibilidade cognitiva e tomada de decisão afetiva.
MÉTODOS: No grupo experimental (GE), serão incluídas 15 crianças com diagnóstico de PHDA, manifestação combinada, de acordo com os critérios do DSM-5, QI ≥ 80, sem comorbidades. O grupo de controlo (GC), constituído por crianças com desenvolvimento típico, será emparelhado com o grupo clínico em variáveis como idade, escolaridade, género e QI. Será realizada uma avaliação neuropsicológica prévia à intervenção. A intervenção será implementada semanalmente com a duração de 45 minutos, durante 6 meses, incorporando sessões de treino com as crianças e sessões de psicoeducação com os pais de forma a promover a transferibilidade de competências. No final da intervenção, será realizada uma reavaliação neuropsicológica. Um follow-up terá lugar seis meses depois para avaliar a manutenção dos possíveis ganhos.
RESULTADOS: Na avaliação inicial, espera-se que os participantes do GE apresentem maiores dificuldades ao nível das FEs, comparativamente ao GC. Posteriormente à intervenção, espera-se uma melhoria no desempenho em testes que avaliam as FEs e que os efeitos generalizem para os contextos familiar e escolar.
P 3.8
O uso de Modafinil na PHDA
Oliveira, I1; Alves, Mariana P.1; Vilariça, Paula2
1 - Médica Interna de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Área de Pedopsiquiatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa.
2 - Médica Assistente hospitalar graduada de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Área de Pedopsiquiatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
OBJECTIVO: Avaliar a eficácia e segurança do uso do Modafinil no tratamento de crianças e adolescentes com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).
MÉTODO: Revisão não sistemática da literatura na base de dados PubMed com as palavras chave ‘ADHD’, ‘Modafinil’, ‘Efficacy and Safety’, ‘Treatment’, ‘Children and adolescents’.
RESULTADOS: A PHDA é uma das perturbações mais comuns do neurodesenvolvimento e embora existam psicofármacos eficazes aprovados, em cerca de 30% dos casos clínicos não se verifica uma resposta terapêutica adequada. O Metilfenidato e a Atomoxetina são os fármacos atualmente recomendados, com melhoria dos sintomas a curto prazo, contudo com poucos dados sobre o seu efeito a longo prazo. O Modafinil é um medicamento aprovado para a narcolepsia, que tem sido utilizado off-label em crianças e adultos com PHDA com melhoria dos sintomas.
DISCUSSÃO: Estudos apontam para que o uso de Modafinil seja eficaz no tratamento da PHDA de crianças e adolescentes, chegando alguns destes a equiparar a sua eficácia à do Metilfenidato. O seu mecanismo de ação não está completamente esclarecido, parecendo bloquear a recaptação da dopamina através do transportador DAT, aumentando a concentração extracelular de dopamina, noreadrenalina e serotonina no neocórtex. O Modafinil parece ter impacto positivo no tempo de reação, no pensamento lógico e na resolução de problemas, sendo um fármaco com baixo potencial aditivo.
CONCLUSÃO: Apesar do Modafinil ser apontado como intervenção farmacológica eficaz opcional no tratamento da PHDA em crianças e adolescentes, o seu uso deve ser cauteloso pelas limitações metodológicas dos estudos e baixo número de ensaios clínicos. Assim, são necessários estudos a longo prazo e de larga escala que avaliem a segurança e eficácia do Modafinil. Só assim se poderá ponderar a sua aprovação no tratamento da PHDA.
P 3.9
Perspetivas de futuro num caso de PHDA - Para além da terapêutica farmacológica
Fábia Martins1; Felisberta Leal2
1 - Interna de MGF na UCSP de Cantanhede
2 - Assistente de MGF na UCSP de Cantanhede
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
ENQUADRAMENTO: A PHDA é o distúrbio neuro-comportamental mais frequente na criança em idade escolar, com capacidade para afetar significativamente o desempenho académico, familiar, emocional e social. Além da intervenção farmacológica comprovadamente eficaz, a terapêutica não farmacológica, como a terapia comportamental, o apoio educativo e as atividades extracurriculares, merecem especial destaque pelo seu papel determinante no bem-estar e qualidade de vida.
DESCRIÇÃO DE CASO: Adolescente de 15 anos, sexo masculino pertencente a uma família nuclear na fase V do ciclo de Duvall. Com diagnóstico de PHDA desde os 6 anos e seguimento em consulta de Pedopsiquiatria desde então. Com um percurso escolar marcado por um apoio pedagógico personalizado, adequações curriculares individuais e no processo de avaliação, chegou ao 9º ano de escolaridade sob toma regular de metilfenidato. Vê-se atualmente confrontado com a necessidade de tomar decisões quanto ao futuro académico. Sempre frequentou atividades extracurriculares, como a natação, o futebol e o maneio de equinos/ equitação, perspetivando neste último, com a concordância e apoio dos pais, a continuidade do seu percurso escolar e profissional, num curso de gestão equina.
DISCUSSÃO: Os profissionais dos CSP têm um papel fundamental no reconhecimento precoce, avaliação e orientação desta condição. Atendendo a que a PHDA é um problema crónico, a intervenção oportuna, visando melhorar o rendimento escolar, a aquisição de competências emocionais, sociais e mecanismos compensatórios pode influenciar o prognóstico de forma positiva. A obrigatoriedade escolar e a noção da necessidade de níveis de escolaridade mais graduados para vingar profissionalmente, exercem uma maior pressão sobre os adolescentes e cuidadores, na hora de decidir o futuro laboral. Cabe aos profissionais que lidam com estas situações, (professores, psicólogos, médicos…) desmistificar medos, orientar de acordo com o gosto e aptidão, por forma a tornar os indivíduos com PHDA cidadãos autónomos e realizados.
P 3.10
Intervenção articulada de Psicologia e Terapia Ocupacional na PHDA - Caso Clínico
Filipa Marques1; Ana Costa2; Sara Silva2; Sílvia Adão1
1 - Psicóloga, PSIKE
2 - Terapeuta Ocupacional, PSIKE
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
OBJETIVOS: Descrever os resultados da intervenção articulada de Terapia Ocupacional (TO) e Psicologia com uma criança de 9 anos com Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA); Refletir nas potencialidades da intervenção da TO e Psicologia na PHDA.
METODOLOGIA: Estudo de caso de criança de 9 anos, com intervenção em TO (baseada na Integração Sensorial) e Psicologia, em contexto clínico e contexto casa-escola, durante ano e meio. O sujeito foi avaliado no início do processo terapêutico e reavaliado após 18 meses com recurso a Entrevista à mãe, ao Perfil Sensorial (Dunn, 2000) e Escalas de Conners para Pais e Professores - Versão Reduzida (Conners, 1997).
RESULTADOS: Em termos qualitativos é referido resultados imediatos e progressivos, nomeadamente a diminuição dos tiques, melhoria da caligrafia, diminuição da impulsividade e melhoria no relacionamento social. No teste Perfil Sensorial, da avaliação à re-avaliação, subiu de 3 para 11 áreas de Desempenho Normal (em 14). Na escalas de Conners, verifica-se uma diminuição da frequência dos comportamentos relacionados com a PHDA nos dois contextos.
DISCUSSÃO: A TO permitiu diminuir a disfunção sensorial e ensinar ao F., família e escola, ferramentas sensoriais para o auxiliar a autorregular-se diariamente. A Psicologia permitiu desenvolver a autorregulação emocional e a consequente melhoria na interação familiar e escolar. Sugere-se que a intervenção psicológica incorporando estratégias sugeridas pela TO pode ter ajudado a desenvolver um maior autocontrolo e adequação na participação ocupacional. Sugere-se que a intervenção articulada da Terapia Ocupacional e Psicologia, ao invés de unidisciplinar, poderá trazer resultados mais rápidos, indo ao encontro de todas as áreas afetadas da criança.
CONCLUSÕES: Os resultados deste estudo de caso indicam que a intervenção articulada da Terapia Ocupacional e Psicologia com o F. permitiu obter resultados positivos relacionados essencialmente com o processamento sensorial, modulação, autocontrolo, diminuição de comportamentos socialmente desajustados e autorregulação emocional.
P 3.11
Mindfulness como metodologia de intervenção em Crianças de idade escolar com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)
Ana Maria Gomes1
1 - UAL - CIP Universidade Autónoma de Lisboa, Centro de Investigação em Psicologia, Departamento de Psicologia da Universidade Autónoma de Lisboa, Portugal
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA
OBJETIVO: Foi desenvolvida uma metodologia em contexto clínico com a utilização de técnicas e estratégias de Mindfulness para intervir em crianças de idade escolar com perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA). Mindfulness refere-se à capacidade de dirigir a atenção para a experiência como ela simplesmente acontece em cada momento, com aceitação e interesse (Kabat-Zinn, 1996). Esta capacidade pode ser exercitada e aprendida. Ensinar a criança a focar a sua atenção em estados internos e físicos, particularmente na respiração e sensações físicas (Weare, 2012). Com a prática continuada é possível que a criança aprenda a focar a sua atenção durante períodos cada vez maiores aceitando as suas experiências.
MÉTODO: Foram aplicadas estratégias de Mindfulness em crianças de idade escolar (7 aos 10 anos de idade) com diagnóstico de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). Num total de 12 crianças e em contexto clínico, durante 1 ano. Procurou-se ensinar a estas crianças estratégias para utilizarem as sensações físicas como a respiração como se fosse uma “âncora” para se concentrarem e focarem numa tarefa, fugindo assim da vaguidade e imensidão do comportamento despoletado por automatismos repetitivos e disfuncionais em termos comportamentais. (Semple, et al., 2010).
RESULTADOS: Foram avaliadas as crianças através de autorrelatos assim como relatos dos pais, professores e o respetivo desempenho académico. Das 12 crianças intervencionadas, 10 manifestaram resultados positivos, não só em termos de comportamento (casa e escola), como nos resultados escolares.
CONCLUSÕES: Gradualmente verificaram-se modificações progressivas nos comportamentos habituais, a prática regular de Mindfulness parece regular as funções executivas, enquanto capacidade de resolver problemas, planear a ação, iniciar, prestar atenção e regular comportamentos (Zeidan, et al., 2010). Estas competências promoveram progressos no desempenho escolar e na capacidade de autorregulação das crianças em idade escolar.
P 3.12
Terapia cognitivo comportamental no tratamento da perturbação de hiperatividade e défice de atenção
Carla Alves Pereira1; Tânia Casanova2
1 - Interna de Formação Específica em Psiquiatria do Centro Hospitalar Tondela-Viseu
2 - Assistente Hospitalar de Psiquiatria do Centro Hospitalar Tondela-Viseu
CATEGORIA: INTERVENÇÃO/TERAPÊUTICA; ADULTO
OBJETIVO: Análise e reflexão sobre a eficácia da terapia cognitivo comportamental (TCC) no tratamento da perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PDHA).
METODOLOGIA: Revisão não sistemática da literatura utilizando as seguintes palavras chave: Attention-deficit/hyperactivity disorder; cognitive behavioral therapy; adults; treatment outcome.
RESULTADOS: A PHDA é uma perturbação caracterizada por níveis graves e prejudiciais de desatenção, hipe-ratividade e impulsividade. Como perturbação do neurodesenvolvimento, inicia-se na infância com cerca de metade dos doentes a apresentarem sintomas que persistem até a idade adulta. Está associada a atrasos no desenvolvimento da atenção sustentada e inibição comportamental em relação aos pares, contribuindo para o comprometimento funcional nos domínios académico, comportamental e social. Além disso, adultos com PHDA apresentam um risco significativamente elevado de comorbilidades, incluindo depressão, ansiedade, abuso de substâncias e perturbações de personalidade. Assim, a TCC para adultos com PHDA foca-se na aquisição de estratégias para melhorar a gestão do tempo, organização, planeamento de tarefas, resolução de problemas, motivação e regulação emocional.
DISCUSSÃO/CONCLUSÕES: Abordagens da terapia cognitivo-comportamental para esta perturbação surgi-ram há relativamente pouco tempo, e evidências disponíveis de ensaios controlados randomizados sugerem que essas abordagens levam à melhoria dos sintomas, do funcionamento global e dos problemas comórbidos, especialmente quando combinada com estratégia psicofarmacológica. No entanto, apesar de novas pesquisas sobre o assunto abordarem as limitações nos estudos anteriores, pesquisas futuras são necessárias, nomeada-mente para avaliação de manutenção de ganhos a longo prazo.

Deadlines
importantes

4/3/18

Inscrição com desconto

15/4/18

Envio de comunicações

6/5/18

Fim inscrições on-line

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Registo: CCPFC/ACC-100394/18,
Nº de horas acreditadas: 15
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Modalidade: Curso de Formação, Destinado a: Educadores de Infância, Professores dos ensinos básicos e secundário, Professores de Educação Especial
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